DOURAR A PILÚLA
O delegado de propaganda médica que acusou a mãe da Aspirina de andar a assediar médicos com luvas não-cirúrgicas estará maluquinho. Segundo a informação que o Correio da Manhã comprou a um funcionário do Tribunal, o homem andaria a telefonar a si próprio e ao advogado mega-esquerdino (esta última parte parece-me a mais assustadora, já que não consigo imaginar ninguém com vontade de telefonar ao Garcia Pereira...). Ou me engano muito, ou isto ainda acaba com a Bayer a perdoar ao seu agapito, alegando que só um tipo que toma os seus medicamentos de forma intensiva se lembraria de alegar que eles fariam o que fosse preciso para aumentar os milhões que ganham com a desgraça humana...
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
9 de novembro de 2004
PRAXES
O caso da rapariga que não achou graça ser assaltada pela trupe fadanga do Instituto Agrário foi parar a tribunal. A senhora do Conselho Directivo lá se veio mostrar surpreendida, já que a rapaziada tinha sido castigada na altura com 15 dias de férias. E alguns estudantes actuais também vieram mostrar-se indignados com tanta falta de consciência sobre o que são as alegrias do estudo. Mas a melhor veio de um senhor que lá trabalha que disse com ar de desprezo: "esfregar estrume na cara é normalíssimo!". Sim e decapitar gente na Arábia Saudita também.
O caso da rapariga que não achou graça ser assaltada pela trupe fadanga do Instituto Agrário foi parar a tribunal. A senhora do Conselho Directivo lá se veio mostrar surpreendida, já que a rapaziada tinha sido castigada na altura com 15 dias de férias. E alguns estudantes actuais também vieram mostrar-se indignados com tanta falta de consciência sobre o que são as alegrias do estudo. Mas a melhor veio de um senhor que lá trabalha que disse com ar de desprezo: "esfregar estrume na cara é normalíssimo!". Sim e decapitar gente na Arábia Saudita também.
7 de novembro de 2004
ANIMAÇÃO
Para os apreciadores de filmes de animação está a chegar a época da caça. O Cinanima (Festival de Cinema de Animação de Espinho) começa na próxima semana. Para quem gosta de curtas ( este ano, vão estar presentes algumas longas com interesse, igualmente), vale a pena rumar a Norte (ou a Sul, para os amigos da ponta superior do rectângulo) e ir passar lá uns dias. O cinema é bom, a seleccção também, as pessoas são acolhedoras e - por Zeus!- come-se bem, ou não estivéssemos em terra de bom garfo :)
Para os apreciadores de filmes de animação está a chegar a época da caça. O Cinanima (Festival de Cinema de Animação de Espinho) começa na próxima semana. Para quem gosta de curtas ( este ano, vão estar presentes algumas longas com interesse, igualmente), vale a pena rumar a Norte (ou a Sul, para os amigos da ponta superior do rectângulo) e ir passar lá uns dias. O cinema é bom, a seleccção também, as pessoas são acolhedoras e - por Zeus!- come-se bem, ou não estivéssemos em terra de bom garfo :)
INIMIGO PÚBLICO
Está cada dia melhor, o suplemento do Público. O dossier do J.Pina sobre a "Task force" para eleger um papa português, esta semana, foi de mais. Lol!
O cartoon do A. Jorge Gonçalves representando o presidente da América montado num elefante que esmaga gente, também está óptimo. Ou não fosse ele um nos melhores artistas gráficos portugueses.
Está cada dia melhor, o suplemento do Público. O dossier do J.Pina sobre a "Task force" para eleger um papa português, esta semana, foi de mais. Lol!
O cartoon do A. Jorge Gonçalves representando o presidente da América montado num elefante que esmaga gente, também está óptimo. Ou não fosse ele um nos melhores artistas gráficos portugueses.
LIVROS
Reparo, agora, que ultimamente não falo de livros. Como se não lesse. De filmes, sim, do país idem, mas de livros não. E contudo, tenho sempre alguns à cabeceira e outros à mão, enquanto desespero pelos/nos autocarros. Deve ser aquela coisa de não precisar sempre de estar a falar no nome dos amigos verdadeiros. Estando eles sempre connosco.
Reparo, agora, que ultimamente não falo de livros. Como se não lesse. De filmes, sim, do país idem, mas de livros não. E contudo, tenho sempre alguns à cabeceira e outros à mão, enquanto desespero pelos/nos autocarros. Deve ser aquela coisa de não precisar sempre de estar a falar no nome dos amigos verdadeiros. Estando eles sempre connosco.
4 de novembro de 2004
PROMOÇÕES
Só no outro dia, ao vê-lo na sua visita à Fraca Autoridade para a Comunicação Social, é que me apercebi que o Luis Delgado já tinha trepado até ao topo da PT (foi bonito ver toda a gente a jurar que o poder económico nunca iria interferir para favorecer um governo que o idolatra...). Ainda bem para ele, pois parece-me simbolizar bem o momento que o país atravessa.
Agora... se o Paulo Cardoso ou a Maya vierem reclamar postos iguais por serem tão bons adivinhos como ele, não se admirem...
Só no outro dia, ao vê-lo na sua visita à Fraca Autoridade para a Comunicação Social, é que me apercebi que o Luis Delgado já tinha trepado até ao topo da PT (foi bonito ver toda a gente a jurar que o poder económico nunca iria interferir para favorecer um governo que o idolatra...). Ainda bem para ele, pois parece-me simbolizar bem o momento que o país atravessa.
Agora... se o Paulo Cardoso ou a Maya vierem reclamar postos iguais por serem tão bons adivinhos como ele, não se admirem...
ELOGIO DA DELAÇÃO
Muito bem terá feito o enfermeiro que denunciou a desgraçada de 17 anos que abortou. Quando morrer vai ser recebido no Céu pelos meninos do PP, de gravatinhas azuis e asas muito lavadinhas. E com um bocadinho de sorte, ainda pode entrar para criadito da Nogueira Pinto, na sua mansão celestial.
Quanto aos que se indignaram com a denúncia, peço um pouco de caridade: o senhor não tem culpa de ter saltado na escola, a parte que referia o direito do doente ao sigilo. Ou até, todo o capítulo de ética.
Muito bem terá feito o enfermeiro que denunciou a desgraçada de 17 anos que abortou. Quando morrer vai ser recebido no Céu pelos meninos do PP, de gravatinhas azuis e asas muito lavadinhas. E com um bocadinho de sorte, ainda pode entrar para criadito da Nogueira Pinto, na sua mansão celestial.
Quanto aos que se indignaram com a denúncia, peço um pouco de caridade: o senhor não tem culpa de ter saltado na escola, a parte que referia o direito do doente ao sigilo. Ou até, todo o capítulo de ética.
1 de novembro de 2004
DOC LISBOA
Por razões de algum desânimo moral e de excesso de trabalho só pude assistir aos filmes de abertura e de encerramento. Mas pelo que fui constantando o festival correu muito bem. Cerca de 15000 pessoas assistiram aos filmes.
Gostei da cerimónia de encerramento. Por estar cheia e porque serviu entre outras coisas para várias pessoas se manifestarem sobre o momento político que atravessamos e da forma como o documentário deverá ser cada vez mais uma forma de revelar o presente em vez de urna das coisas passadas. O jovem realizador premiado com o seu documentário sobre Cesariny (não fixei o nome, mas já vou ver e corrijo...) fez uma declaração interessante que nos remeteu para a nossa passividade. O aplauso que se seguiu é bem revelador da forma como um governo cretino nos está a obrigar a radicalizar o discurso...
O filme de encerramento, O MUNDO SEGUNDO BUSH, não é brilhante. E tendencioso. Mas ainda assim cumpre uma missão de alerta a que não podemos ficar indiferente. Uma saudação aos programadores da RTP que tendo lido o programa do DOC acharam que passar NA MESMA NOITE esse documentário era uma ideia brilhante... Enfim... São artistas portugueses e ainda devem lavar as dentaduras com Pasta Medicinal Couto.
Por razões de algum desânimo moral e de excesso de trabalho só pude assistir aos filmes de abertura e de encerramento. Mas pelo que fui constantando o festival correu muito bem. Cerca de 15000 pessoas assistiram aos filmes.
Gostei da cerimónia de encerramento. Por estar cheia e porque serviu entre outras coisas para várias pessoas se manifestarem sobre o momento político que atravessamos e da forma como o documentário deverá ser cada vez mais uma forma de revelar o presente em vez de urna das coisas passadas. O jovem realizador premiado com o seu documentário sobre Cesariny (não fixei o nome, mas já vou ver e corrijo...) fez uma declaração interessante que nos remeteu para a nossa passividade. O aplauso que se seguiu é bem revelador da forma como um governo cretino nos está a obrigar a radicalizar o discurso...
O filme de encerramento, O MUNDO SEGUNDO BUSH, não é brilhante. E tendencioso. Mas ainda assim cumpre uma missão de alerta a que não podemos ficar indiferente. Uma saudação aos programadores da RTP que tendo lido o programa do DOC acharam que passar NA MESMA NOITE esse documentário era uma ideia brilhante... Enfim... São artistas portugueses e ainda devem lavar as dentaduras com Pasta Medicinal Couto.
KISS ME 2
A fotografia é óptima, a música adequada e a modelo-protagonista portou-se bem. Erro clamoroso de casting na figura da mãe, que atira com ar pugente "Volta para o teu marido, Laura" (a frase é minha, de facto, embora dita por esta actriz tenha soado como se um dos Távoras estivesse a gritar do garrote). A reconstituição também está bem.
E, aqui e ali, o realizador conseguiu convencer-nos com aquela Laura-Rose, perversa e bela.
A fotografia é óptima, a música adequada e a modelo-protagonista portou-se bem. Erro clamoroso de casting na figura da mãe, que atira com ar pugente "Volta para o teu marido, Laura" (a frase é minha, de facto, embora dita por esta actriz tenha soado como se um dos Távoras estivesse a gritar do garrote). A reconstituição também está bem.
E, aqui e ali, o realizador conseguiu convencer-nos com aquela Laura-Rose, perversa e bela.
KISS ME 1
Não assisti à rodagem, nem à montagem do filme de António da C. Telles, ao qual emprestei (como outras pessoas) o meu nome enquanto argumentista.
Depois da antestreia, com toda a serenidade, gostaria apenas de me demarcar do resultado final. O argumento que vemos transportado em imagens está longe do que me foi solicitado e cumprido. Foi adulterado em excesso, carregado de diálogos simplistas e evidenciado no acumular de personagens.
Agradecia que sempre que se referissem a este filme, no que toca à estrutura e diálogos, omitissem o meu nome. É que não fui tido nem achado naquilo que chegou aos actores.
Não assisti à rodagem, nem à montagem do filme de António da C. Telles, ao qual emprestei (como outras pessoas) o meu nome enquanto argumentista.
Depois da antestreia, com toda a serenidade, gostaria apenas de me demarcar do resultado final. O argumento que vemos transportado em imagens está longe do que me foi solicitado e cumprido. Foi adulterado em excesso, carregado de diálogos simplistas e evidenciado no acumular de personagens.
Agradecia que sempre que se referissem a este filme, no que toca à estrutura e diálogos, omitissem o meu nome. É que não fui tido nem achado naquilo que chegou aos actores.
28 de outubro de 2004
A VILA
Ia preparado para um filme de terror. Os bosques lá estavam, a lembrar o... (BRANCA) feito sem dinheiro e onde o medo nunca é mostrado. (LEMBRANÇA: o "Blair Witch"!). Para quem tinha ficado desiludido com "Sinais", este filme foi uma boa surpresa. Uma câmara magistral, sobre uma história que nos vai surpreendendo. Aqui e ali, teríamos dispensado tanta informação, mas quando se reflecte melhor, estava-se era a falar de outra coisa ainda. Imperdível.
Ia preparado para um filme de terror. Os bosques lá estavam, a lembrar o... (BRANCA) feito sem dinheiro e onde o medo nunca é mostrado. (LEMBRANÇA: o "Blair Witch"!). Para quem tinha ficado desiludido com "Sinais", este filme foi uma boa surpresa. Uma câmara magistral, sobre uma história que nos vai surpreendendo. Aqui e ali, teríamos dispensado tanta informação, mas quando se reflecte melhor, estava-se era a falar de outra coisa ainda. Imperdível.
20 de outubro de 2004
OBRIGADO
a todos os que se me têm dirigido para enviar um abraço solidário, via comentários, e-mails ou telefone.
O assunto seria ridículo se não denunciasse que muitos de nós que escrevemos, filmamos ou simplesment expressamos a nossa opinião sobre Portugal, dormimos algures, num computador do SIS. Pior: que existem pessoas no nosso país, repito, no NOSSO, o de todos, aquele que amamos apesar de tudo, que andam pelas livrarias a ver o que se escreve e a elaborar relatórios sobre a perniciosidade de alguns textos. Em 2004. Isso é que assusta e entristece. Que classifiquem como autor a "isolar" o homem que escreveu A MONTANHA MÁGICA é de brutos; de ignorância alimar. E quem são estes homens e mulheres que se escondem para nos espreitar? Quem os controla? Quem destrinça entre o que é opinião pessoal ou gosto da informação útil? Quem nos assegura que eles não forjam informações? Quem está a salvo deles?
Que governo é este que alimenta esta gente e se compraz na leitura de INDEXS inquisitoriais? Até quando poderemos achar que as coisas não vão voltar à podridão de um regime salazarento?
Se isto fosse um romance anterior ao século XX eu poderia fazer uma interpelação ao leitor:
"Tu, que me lês, julgas-te a salvo da lama que cai? Não o estejas, que a lama tem muitas cores e salpica quem pode, pois é essa a sua condição de lama...".
a todos os que se me têm dirigido para enviar um abraço solidário, via comentários, e-mails ou telefone.
O assunto seria ridículo se não denunciasse que muitos de nós que escrevemos, filmamos ou simplesment expressamos a nossa opinião sobre Portugal, dormimos algures, num computador do SIS. Pior: que existem pessoas no nosso país, repito, no NOSSO, o de todos, aquele que amamos apesar de tudo, que andam pelas livrarias a ver o que se escreve e a elaborar relatórios sobre a perniciosidade de alguns textos. Em 2004. Isso é que assusta e entristece. Que classifiquem como autor a "isolar" o homem que escreveu A MONTANHA MÁGICA é de brutos; de ignorância alimar. E quem são estes homens e mulheres que se escondem para nos espreitar? Quem os controla? Quem destrinça entre o que é opinião pessoal ou gosto da informação útil? Quem nos assegura que eles não forjam informações? Quem está a salvo deles?
Que governo é este que alimenta esta gente e se compraz na leitura de INDEXS inquisitoriais? Até quando poderemos achar que as coisas não vão voltar à podridão de um regime salazarento?
Se isto fosse um romance anterior ao século XX eu poderia fazer uma interpelação ao leitor:
"Tu, que me lês, julgas-te a salvo da lama que cai? Não o estejas, que a lama tem muitas cores e salpica quem pode, pois é essa a sua condição de lama...".
19 de outubro de 2004
O REGRESSO DA PIDE
Estou a avisar há uma série de tempo que este início de século, em Portugal, será uma época de barbárie onde os valores mais retrógrados e confundidos irão causar dano...
Eis a prova:
Telefonam-me do "CRIME", para me interrogarem a propósito de um relatório que o SIS (Sistema de Informações e Segurança) lhes teria fornecido (vendido?) em que uma das minhas obras era referida. Aparentemente, sou citado, ao lado de Thomas Mann e de André Gide, como um dos escritores que escreveram livros que "apresentam a pedofilia a uma luz favorável". O livro em questão é A Materna Doçura. O meu primeiro romance entra assim para o Index 5 anos após a sua publicação (o que só abona a favor da penetração da Oficina do Livro entre os meios... por assim dizer, policiais...).
E aqui estou eu, que nunca lidei de perto com a PIDE e não percebo nada de estar fichado por ter escrito um livro obviamente não lido, chocado...
Ainda mais com pasquins a farejar sangue (ainda que inexistente...), sempre atentos na produção de lama.
Quem nos protege disto?
O Sântano é ainda mais triste do que eu pensava...
ps: se não fosse desolador ver que o dinheiro dos nossos impostos vai para os ordenados de pessoas que perdem tempo a ver em livros "matérias proibidas", em vez de andarem atrás dos gangs de criminosos que matam e lesam economicamente o país, seria risível. Assim, nem por isso.
Estou a avisar há uma série de tempo que este início de século, em Portugal, será uma época de barbárie onde os valores mais retrógrados e confundidos irão causar dano...
Eis a prova:
Telefonam-me do "CRIME", para me interrogarem a propósito de um relatório que o SIS (Sistema de Informações e Segurança) lhes teria fornecido (vendido?) em que uma das minhas obras era referida. Aparentemente, sou citado, ao lado de Thomas Mann e de André Gide, como um dos escritores que escreveram livros que "apresentam a pedofilia a uma luz favorável". O livro em questão é A Materna Doçura. O meu primeiro romance entra assim para o Index 5 anos após a sua publicação (o que só abona a favor da penetração da Oficina do Livro entre os meios... por assim dizer, policiais...).
E aqui estou eu, que nunca lidei de perto com a PIDE e não percebo nada de estar fichado por ter escrito um livro obviamente não lido, chocado...
Ainda mais com pasquins a farejar sangue (ainda que inexistente...), sempre atentos na produção de lama.
Quem nos protege disto?
O Sântano é ainda mais triste do que eu pensava...
ps: se não fosse desolador ver que o dinheiro dos nossos impostos vai para os ordenados de pessoas que perdem tempo a ver em livros "matérias proibidas", em vez de andarem atrás dos gangs de criminosos que matam e lesam economicamente o país, seria risível. Assim, nem por isso.
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Para os apreciadores do género, já começam a circular pela net as pré-imagens da ida ao campeonato mundial de Quiditch. Nos nosso cinemas só daqui a um ano. ;)
Para os apreciadores do género, já começam a circular pela net as pré-imagens da ida ao campeonato mundial de Quiditch. Nos nosso cinemas só daqui a um ano. ;)
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